Um clube de altos e baixos
Agremiação Desportiva de Albardeiros
No cenário dos anos 40, a cidade de Albardeiros contava com dois clubes relevantes, o Clube dos Pesqueiros e a Aliança Albarde. Ambas equipes não tinham grandes campanhas a nível regional e não conseguiam construir uma tradição, até que, oriundo de uma iniciativa da própria prefeitura do município, a proposta da fusão dos dois clubes é colocada na mesa. Demorou um pouco para os times cederem, mas enfim tivemos a fusão, em julho de 1951, nascendo a Agremiação Desportiva de Albardeiros.
Levando agora o nome da cidade, a nova direção contou com uma divisão das duas diretorias dos clubes antigos, formando um grêmio que tomava as decisões em conjunto, sem a imagem de um presidente. A mentalidade de dois clubes que juntaram forças só passou a ser de um único clube para todos os albardes nos meados daquela década de 50. Herdou a cor esmeralda do Aliança e o estádio do Pesqueiros, o Forte Canedos.
Foi na década de 1980 que o Esmeralda apareceu para o país. Chegando ao final do Troféu da Ilha de 1986, encarava o favorito Rochedos na final. Apesar de ter jogado bem aquela final, saiu derrotado pelo placar de 3:2 - mas nem tudo são mágoas; aqui era o início de bons anos que estariam por vir.
No começa da era das ligas, o Albardeiros só chegou a atuar na Segunda Liga em 1996, passando, de 1990 a 1995, na disputa da Liga AFUSG, uma federação paralela à CESG. Em 95, foi campeão da tal liga paralela e chegou à grande final da Taça Atlântico - o maior momento da história do clube até então. O adversário desta vez era o Alvarenga, clube que figurava entre os participantes da Primeira Liga, mas que viria a cair naquele mesmo ano. Diferentemente do que ocorreu em 86, que o time lutou e levou a virada perto do fim, a grande final de 95 é um pesadelo para o torcedor do Esmeralda, que quer esquecer aquele dia a todo custo.
Chegando à Segunda Liga em 1996, o Esmeralda passou 3 anos até conseguir chegar ao mais alto patamar do futebol nacional: a Primeira Liga - e da melhor forma possível. Com seu primeiro grande título da história, o Albardeiros chega à elite com o troféu da segunda divisão embaixo dos braços, e se manteve neste nível até 2001. Campeão novamente da Segunda Liga em 2003, engataria 6 temporadas seguidas na primeira divisão, até cair novamente em 2009.
A melhor campanha da história do clube na era das ligas foi em 2007, onde alcançou a 7ª colocação na Primeira Liga. A excelente campanha foi fruto de muitos investimentos de natureza irresponsável, uma espécie de 'all-in' da direção, que afundaria, logo em seguida, o Esmeralda em dívidas. Apenas 4 temporadas foram necessárias para a equipe sair da elite para a quarta divisão, onde estava em 2012. Neste meio tempo, ainda conseguiu um vice-campeonato na Taça das Federações 2011 ao ser derrotado pelo Falcões, em uma época onde essa competição já não tinha a mesma grife de outrora.
Apesar dessa final, a situação do clube era alarmante. Foram vários clubes da época que se viram em situação similar, mas poucos sofreram tanto quanto o Albardeiros. Em torno de 2012, a fase era tão ruim que se cogitou separa o clube novamente entre Pesqueiros e Aliança. Foi apenas em 2014 que uma nova diretoria assumiu o clube, cheia de boas intenções, mas que encontraria desafios gigantes pela frente. Tais desafios levaram o clube à falência após o novo rebaixamento, dessa vez, para além das divisões profissionais da CESG.
Em 2015, o clube não teve atividade, estando assim licenciado. Sem elenco profissional e sem categorias de base, uma completa reformulação foi feita com ajuda da prefeitura e também da torcida - uma parte dos sócios decidiu refundar o Aliança Albarde, que ruma pelas divisões semiprofissionais até hoje, por não se sentirem representados pelo clube da época. Sem poder usar o nome original, o clube renasce em 2016, agora chamado Clube de Futebol de Albardeiros e com um novo escudo. Permaneceu assim até o ano de 2024, já que, em 2025, recuperou o nome original - Agremiação Desportiva de Albardeiros - e, com decisão unânime dos sócios, voltou a utilizar também o escudo tradicional, que foi inalterado desde a fundação até à falência.
No período de CFA - assim chamam os adeptos -, o Esmeralda conseguiu galgar posições nas divisões inferiores até retornar à quarta divisão, em 2022.