Das ondas para o campo
Esporte Clube Atlântico
O Esporte Clube Atlântico sempre foi sinônimo de tradição nos esportes náuticos em Livramento, cidade litorânea da Província de São Miguel. Fundado por marinheiros, atletas aquáticos e entusiastas do mar, o clube se consolidou nas competições de remo, vela e natação, tornando-se referência nesses esportes. Durante décadas, os dirigentes do Atlântico se orgulhavam dessa identidade e rejeitavam qualquer tentativa de expandir suas atividades para esportes terrestres, como o futebol, tanto que o nome original da instituição era Clube de Regatas do Atlântico.
A resistência do Atlântico em adotar o futebol começou a ser desafiada no final da década de 1940. Seus grandes rivais, Navegantes (também oriundo dos esportes aquáticos) e o Livramento, já haviam entrado no mundo do futebol e começavam a atrair cada vez mais torcedores e investimentos.
O Navegantes, um clube tradicionalmente ligado aos marinheiros e pescadores, tinha uma rivalidade histórica com o Atlântico, surgida nas competições de remo e vela. Quando o Navegantes decidiu criar sua equipe de futebol, viu sua torcida crescer significativamente, o que gerou um impacto direto na popularidade do Atlântico.
Ao mesmo tempo, o Livramento, que não tinha origens náuticas, tornou-se rapidamente o clube mais popular da cidade graças ao sucesso de sua equipe de futebol, conquistando títulos regionais e citadinos, atraindo cada vez mais torcedores. Com o Atlântico mantendo sua resistência em aderir ao esporte mais popular do país, sua base de sócios começou a diminuir e os investidores passaram a preferir apoiar outros clubes.
A pressão dos sócios mais jovens, que viam o futebol como uma oportunidade de crescimento, e o interesse de empresários locais, que queriam investir no clube, foram fundamentais para a grande virada. Em 1960, após anos de debate interno, a diretoria do Atlântico finalmente cedeu e anunciou a criação de seu departamento de futebol.
Sua primeira participação memorável em competições nacionais apenas veio em 1984, ao ser derrotado na final da Taça Atlântico para o forte esquadrão do Valentina. Apesar de sair sem a taça, aquele time tinha jogadores interessantes que apareceram para o país por conta daquela edição, como Dino e Rui Teixeira.
Após isso, o clube sumiu do cenário do futebol nacional. Foram décadas sombrias as seguintes, onde, por um período em meados dos anos 90, o clube chegou a licenciar-se do futebol, voltando a praticar apenas as regatas - o que durou pouco.
No final da década de 2000, já estava consolidado como um time consistente nas divisões inferiores, variando entre terceira e quarta divisões, até que, em 2017, alçou um novo passo. Surpreendentemente, na sua estreia na Segunda Liga, foi vice-campeão e carimbou sua vaga à elite do futebol nacional em tempo recorde. Tudo bem, o clube completou o bate-volta sendo rebaixado na última colocação, mas isso era mais do que esperado de um clube que cresceu rápido demais. Nas temporadas seguintes, se consolidou como uma equipe de segunda divisão.