Um clube pioneiro - ou quase
Clube Atlético de Lara
Na capital da província, o Balteiro dominava, com suas políticas aristocráticas e conhecidas por excluir os menos avarentos. Na cidade próxima de Ouguela, o clube de mesmo nome praticava o futebol indo contra tudo o que o time da capital pregava, reunindo a classe trabalhadora de uma região de indústria. Eis que surge em Elias Gomes Neto, um operário ferroviário, a ideia de abrir uma espécie de franquia do Ouguela em Lara, que ficava ainda mais enfincada no interior da província. Com a fundação desse clube que até então se chamava Sport Club Operário Larense e fardava o mesmo vermelho e preto do irmão mais velho, o Atlético começou a jogar futebol pelos campos da região interiorana de Balteiro. Conforme o tempo passou, o Lara se tornou o clube da cidade e abraçou outras causas além da operária, adotando uma identidade muito mais próxima da que conhecemos hoje - inclusive, mudando o nome da instituição para abarcar toda a região.
Embora forte em Balteiro, a Lebre demorou para aparecer no cenário nacional, mas quando ocorreu, foi com o gigante título da Copa Coroa 1983, diante o Madalena.
O Atlético de Lara tem um feito que nenhum outro clube conseguiu, ao, em 1996, vencer a Segunda Liga e, no ano seguinte, vencer também a Primeira Liga, em 1997. Nunca antes nem depois algum clube conseguiu emendar dois títulos seguidos de segunda e primeira divisão dessa forma. Se não considerarmos a edição de 1990 - por, obviamente, ser a primeira edição -, a Lebre também é a única equipe a ser campeã da elite nacional em sua temporada de estreia. Além disso, esteve no grupo de equipes que foram as primeiras a disputarem competições internacionais de clubes, em 2023, ao classificar-se para a Taça Carlos Valderrama 2023.